PR/DF recebe novo procurador

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A PR/DF a passou a contar, no mês de junho, com mais um procurador da República: Cláudio Drewes José de Siqueira. Brasiliense, Cláudio integra o Ministério Público Federal desde 2003. Esses fatos podem sugerir que Cláudio seguiu a vida de um típico candango de classe média: frequentou escolas particulares, fez faculdade, estudou para concurso e foi aprovado em uma das provas mais difíceis do país. Bem, a história teria sido assim se não fosse por um detalhe: Cláudio é tetraplégico desde os 16 anos.

Em conversa com a Ascom, o procurador da República contou um pouco da sua trajetória marcada por superação e conquistas até chegar à PR/DF, onde está lotado no 6º Ofício Criminal. Depois de um acidente que o deixou com tetraplegia, Cláudio teve de interromper os estudos. Na época, ele cursava o ensino médio. Depois de sete meses na UTI e um ano e três meses de tratamento, obteve alta e, finalmente, conseguiu retomar os estudos. Na segunda tentativa, Cláudio foi aprovado no vestibular para cursar Direito na Universidade de Brasília (UnB). A aprovação, segundo ele, veio em uma época em que ainda não existiam cotas para pessoas com deficiência.

Com o diploma na mão, Cláudio decidiu ingressar em uma carreira da área jurídica na área pública. Foi nesse momento que ele descobriu o universo dos concursos público. Mas as dificuldades não se restringiram às provas. O procurador conta que foi impedido de realizar alguns certames devido a sua condição. Ele teve de ingressar com mandados de segurança em certos casos para garantir o direito de fazer as provas, o que lhe trazia um sentimento de frustração. “ Me sentia preparado, mas tinha de enfrentar uma discriminação velada. Os próprios juízes que analisavam meu caso diziam que aquilo não era para mim, que era impossível. Eu respondia: o que vocês fazem que eu não possa fazer? Eu falo, leio e escrevo”, conta, completando que era como se estivesse dando murro em ponta de faca.  As tentativas de aprovação em concurso incluíram provas para procurador de Estado e promotor de Justiça.

A situação mudou quando alguns amigos sugeriram que ele tentasse o MPF, instituição que sempre esteve na vanguarda no que diz respeito à acessibilidade e à defesa de pessoas com deficiência. Cláudio decidiu, então, seguir por esse caminho. O resultado foi de sucesso total. “A banca me deu todas as condições para realizar o concurso e eu fiz a prova muito bem”, recorda orgulhoso. No , Cláudio tomou posse na Procuradoria da República no Goiás. No estado vizinho ao Distrito Federal, o procurador atuou tanto na esfera criminal quanto cível. Cláudio trabalhou com temas da área de saúde, cidadania, patrimonial, patrimônio público e eleitoral, tendo sido, inclusive procurador eleitoral auxiliar e, depois, titular. Um caso importante em que o procurador atuou foi no acidente com o césio-137, um grave episódio de contaminação por radioatividade ocorrido em Goiânia. Ainda no MPF/GO, Cláudio exerceu o cargo de procurador-chefe.

Para viabilizar o trabalho, Cláudio tem a ajuda de dois profissionais (contratados por ele) que auxiliam na locomoção e na rotina do gabinete. Já no exercício da atividade fim, o maior facilitador é a tecnologia. Para despachar, autuar ou dar andamento aos procedimentos sob a sua responsabilidade, o procurador utiliza um adaptador, uma espécie de capacete com uma haste, que, em contato com a tela e teclado do computador, possibilita a realização de tarefas. É com o equipamento que ele assina digitalmente todos os expedientes do gabinete.

Sobre a nova etapa na PR/DF, o procurador se mostra animado. “Participei do concurso de remoção para vir a Brasília para sair da zona de conforto e dar início a novos projetos. Atuando no ofício criminal vejo casos novos e diferentes e é uma oportunidade para eu me atualizar”, conta. Cláudio Está instalado em um gabinete que foi adaptado pela DEA de forma que o ambiente comportasse a cadeira de rodas. O procurador ainda conta um fato curioso sobre a PR/DF: ele estudou, durante alguns anos, no colégio que fica ao lado do prédio conjunto, que, na época, abrigava a PGR. “Lembro que às vezes subia com meus amigos no telhado da escola e ficava pensando…O que será que as pessoas que trabalham ali fazem?”, recorda como se, naquele tempo, sonhasse acordado. É…acontece que sonhos se tornam realidade. Mesmo aqueles mais “impossíveis”.

Publicado originalmente na Intranet PR-DF, 07 de julho de 2017 – 13h23min

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